A história do planeta regente do ano

Reuni aqui observações sobre a velha discussão do planeta regente do ano:




Particularmente  não levo em consideração o tema do regente anual para análises de ano novo. No máximo comparações hipotéticas com anos atribuídos a regência por curiosidade de pesquisa deste legado dos caldeus. O conteúdo aqui é apenas para esclarecimento aos curiosos, para fins de informação histórica, dúvidas de estudiosos, da mídia e a quem não se desapega deste tema. 


Não há um consenso entre os astrólogos sobre regente do ano. Muitos consideram a hora que ocorre o ingresso do Sol em Áries quando se dá o equinócio (de outono no hemisfério sul e de primavera no hemisfério norte), por ser primeiro instante e dia do primeiro signo. Porém, com alternâncias de horários conforme a região devido ao fuso de cada área. Planetas que se destacam em uma determinada área podem não se destacar em outras, o que alternaria regências em vários lugares. 

Outros tratam planeta regente de ano em uma ideia de astrologia mais simbólica, antes mesmo da compreensão dos 12 signos.

Das referências que determinam o regente do ano, a mais  conhecida é proveniente dos antigos Astrólogos Caldeus, que tem por base a estrela dos magos de 7 pontas. Sua simbologia é que o nosso ser é o centro em conexão aos 4 pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste) somado ao que está acima e ao que está abaixo caracterizando 7 referências ao nosso ser e vinculadas aos 7 planetas visíveis. 

Segundos os antigos caldeus, os planetas eram como divindades celestes. Antes deles, indícios de textos - tanto de egípcios quanto de babilônios - apontavam um sistema astronômico-astrológico de 36 constelações sendo 12 zodiacais, 12 ao norte e 12 ao sul.  A maior utilidade das constelações zodiacais para decisões de interesses agrícolas, econômicos e políticos do reino na babilônia dá origem a astrologia numa correlação ao que conhecemos hoje dos 12 meses associados aos signos zodiacais.


Também antes dos babilônios, os egípcios já trouxeram as primeiras referências de uma divisão do tempo em 36 semanas de 10 dias tendo as constelações como parâmetro. Surgiam assim as "36 estrelas decanas", sistema com alguma semelhança ao dos babilônios, mas com base nas constelações zodiacais e que dão origem aos decanatos (conforme figura abaixo). Esta correlação se consolida também junto aos Caldeus (sucessores dos babilônios), que assim como os egípcios, associavam 3 decanatos a cada signo e relacionavam todos os 36 decanatos sob a regência de um dos 7 planetas. 



Não se tem detalhes de quando e porque se atribui regências anuais, se pela observação das 36 constelações babilônias ou por alguma associação com os decanatos. 
Mais provável pela segunda opção, pois é com base na ordem de regência dos decanatos que se dá a sequência de regências ano a ano, onde um planeta é o regente do período todo e cada ano tem seu regente.
Basta observar a figura ao lado e sempre teremos a ordem de Marte, Sol, Vênus, Mercúrio, Lua, Saturno, Júpiter em qualquer sequência.


Pelo que se pode compreender dos Caldeus, cada volta em 36 decanatos (figura acima) corresponde a uma ponta da estrela (figura abaixo). O círculo também pode ser atribuído a 36 anos. 
Para os Caldeus, um ciclo de 36 anos que é regido por um determinado planeta tem o primeiro e o último ano regido pelo mesmo planeta que é regente de todo ciclo. Basta observar que no círculo de exemplo, Marte está no decanato 1 e no 36, abrindo e encerrando um ciclo.




Através da estrela dos magos, segue-se a ordem, como se vê na figura ao lado, porém a cada 36 anos muda-se a regência na interligação em linha reta de um planeta a outro como na figura. Exemplo: Sol, Saturno, Vênus, Júpiter, Mercúrio, Marte e Lua. 

Pela ordem, 2015 foi regido por Marte e 2016  foi o Sol, (observe que pela figura da estrela os dois estão em sequência). O ano de 2016 encerrou um ciclo de 36 que começou em 1981 (Também regido pelo Sol) e 2017 iniciou um ciclo de Saturno, consequentemente, o regente do ano segundo a análise dos Caldeus.


Em 2018, os que consideram a observação dos caldeus apontam Júpiter como regente - que viria pela ordem simbólica após ano regido por Saturno. Em seguida, Marte seria o de 2019 e assim sucessivamente, conforme a sequência apontada na figura da estrela dos magos e semelhante na sequência dos decanatos da primeira figura que sempre tem (Marte, Sol, Vênus, Mercúrio, Lua, Saturno e Júpiter).

Rose Villanova, amiga e astróloga, alertou -  ao ler esse artigo - a diferença da sequência do regente de cada ano (a esquerda) com a sequência de quem rege a cada 36 anos (a direita) como vemos na figura abaixo. 


Acredita-se que a prática dos caldeus foi popularizada no Brasil pelo Almanaque do Pensamento, anualmente existente desde 1912. Outro divulgador do metódo associado a este ciclo é o professor astrólogo Zeferino Costa, atuante astrólogo em veículos impressos e de comunicação como Rádio e Tv entre os anos 60 e 80 do século passado.

Segundo o colega Antonio Carlos Bola Harres, as extrapolações de ciclos surgiram como uma forma de compensar a dificuldade dos cálculos das órbitas dos astros, problema superado a partir dos anos 70 quando os algoritmos das órbitas desenvolvidos pela NASA foram transcritos para sofwares de Astrologia. 

Já com o início da impressão das efemérides, a partir da invenção dos tipos móveis no século 19, já era possível se ter tabelas de  posições mais precisas dos astros e seus aspectos ao longo de um ano, tornando superado este modelo de "regências".

Bola também trouxe a lembrança que em um "ano da Lua" citado pelos ciclos dos Caldeus em 1945 bombas foram arremessadas em Hiroshima e Nakasaki e nenhuma delas eram bombas com cobertura de chocolate nem de creme feitas pela Vovó ou pela minha amiga expert em bolos e doces Etienni.

Como dito no início, a ideia deste escrito foi mais a do esclarecimento. Este que vos escreve considera mais eficaz para análises coletivas, mundiais e de horóscopos observar os longos aspectos e transitos mais duradouros no decorrer do ano, bem como o mapa de ingresso do Sol em Áries e a revolução solar nos lugares. O mapa dos eclipses, as conjunções inferiores de Mercúrio e de Vênus, bem como conjunções ou oposições entre Sol e Marte também determinantes para análises coletivas, bem como dos eventuais semestres nos períodos anuais.

Antes de terminar, do mesmo modo que existe a regência planetária do ano vale ressaltar que a regência planetária dada aos dias da semana também é originária dos egípcios e reforçada pelos babilônios. Ou se considera as duas ou nenhuma.

Portanto, fica aqui um esclarecimento com respeito a história dos Caldeus, ainda que poucos lugares do mundo considere planeta regente de ano. Ponderação nunca é demais.